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26/04/2004 22:18
OUVINDO: Haruka Kanata (segunda abertura de Naruto)

Bancas de jornal

Quando eu era criança, uma das minhas alegrias era ir comprar gibis, álbuns e figurinhas (q fatalmente eu não iria completar nunca), geralmente com o troco da padaria/mercado e similares, lembro de um álbum das tartarugas ninja, fico pensando que fim levou...Figurinhas simples, nada brilhante, que te dava um carro ou algo assim, acho que o premio era saber que as figurinhas eram auto colantes, se bem que até era divertido usar a cola....claro que quase nunca a cola se restringia a fica no espaço da figurinha e seu algum com certeza ficaria grudento.
Mas este post esta sendo escrito em memória a uma digna figura que sem ela nenhuma dessas lembranças seria possível, o jornaleiro, geralmente um senhor de certa idade que fazia da banca seu estilo de vida, sabia de tudo que iria ser lançado, conhecia sua banca como a palma da sua mão, mesmo que para nós, meros mortais, aquilo parecesse um inferno onde a teoria do caos absoluto estivesse sendo posta a prova.
A banca era pequena, daquelas de bairro (essa que eu me refiro ficava na esquina da minha rua), cabia o jornaleiro e mais duas pessoas (e olhe lá), parecia que o jornaleiro fazia aquilo pq gostava, ou pelo (menos fingia bem, o que eu duvido), sempre te atendia bem, mesmo que você fosse gastar centavos pra comprar uma figurinha, deixava pagar mais tarde, guardava gibis quando você não tinha dinheiro na hora, falava dos álbuns novos que iriam chegar, (pra gente já ir preparando a mãe pra dar dinheiro) olhando em sua folha que a editora mandava.
Hoje em dia não se vê mais dessas bancas, nem desses jornaleiros, bancas enormes que até dariam pra dar uma pequena festa dentro, computadores, revistas até do Paquistão, cigarros, guloseimas, quinquilharias em geral, eu já vi uma dessas bancas com três funcionários, pra que diabos três funcionários?
Resolvi escrever esse post pq ontem eu fui numa dessas bancas enormes, a figura simpática do “Seu Zé” (nome do jornaleiro que me atendia quando eu era criança) cedeu lugar a um idiota qualquer, aparentando seus trinta anos, cara de poucos amigos, aparentemente bravo por estar trabalhando num domingo em seu “castelo” grande e vazio.
Timidamente perguntei onde poderia encontrar um mangá que estava procurando e não conseguia encontrar, ele nem seu deu o trabalho de falar, apontou vagamente em uma direção, fui ate a tal direção e finalmente consegui encontrar o mangá que procurava, mas não o numero que eu queria, voltei e perguntei quando sairia o próximo, ele levando os olhos com uma má vontade que me deu medo e simplesmente respondeu: “Não sei” e voltou a ler a revista. Ele não tinha a alma que essa nobre profissão exige era apenas um qualquer que atendia as pessoas, não fazendo nada a não ser o que foi pago pra fazer.
Moral da historia, esperei ate hoje pra comprar meu mangá na banca da esquina da minha rua (se bem que agora essa banca não é tão mais na esquina) a eterna banca do “Seu Zé”, mesmo que hoje o dono não seja mais o “seu Zé” seu cargo foi ocupado por um senhor igualmente simpático e altamente familiarizado com seu pequeno “castelo”.
Existem certas profissões que a alma é essencial.

enviada por Gaijin






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